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O dia estava chuvoso, com trovoadas e relâmpagos no céu. Enquanto eu bebericava meu café, comecei a pensar sobre o caminho percorrido até aquele momento e me dei conta de que muitas coisas das quais eu havia escolhido anteriormente já não faziam sentido e, dentre elas, o símbolo que me representava como profissional.

Olhando para o antigo, não me reconheci. Não havia minha essência ou minha muiteza (um dia explico o que é isso). Fui tomada por uma sensação de não me reconhecer naquela imagem e iniciei um longo processo de identificação do meu fazer como psicoterapeuta.

Para minha surpresa, fui percebendo que não havia muita distinção entre o eu pessoal e o eu profissional. Sou interligada e atravessada por diversas influências, dentro e fora da psicologia.

Então escolhi sentidos que ganharam a forma de uma mandala e que significa nada menos que alma, integração, harmonia, concentração de energia, cura e desenvolvimento para se alcançar a totalidade do ser.

Sua composição é feita da flor de lótus na base porque ela nasce nos pântanos onde aparentemente nada pode surgir e apesar dessa situação, a sujeira não se assenta em suas flores. E, caso você seja curioso e decida cortar suas raízes para olhar por dentro, perceberá que seu centro é branquíssimo, livre de todo o lodo que a envolve. Seu núcleo, sua essência, não pode ser contaminada.

No meio da imagem há uma pessoa abstrata, fiz questão que não fosse definido masculino/feminino, para que todos aqueles que se depararem compreendam que estão no centro da própria vida a cada decisão, a cada escolha e renúncia feita. Tudo o que passou e o que virá, pertence a história de cada um e somente a pessoa pode reconhecer sua luta e trajetória.

Os galhos e folhas representam vida, florescimento, renovação, crescimento, expansão, contato consigo e

com o mundo que o envolve.

Você pode estar pensando: “mas que confusão de significados” e eu compreendo porque você não conhece a história de desconstrução e reconstrução pessoal e profissional, que levou anos e muita reflexão até tornar-se um norte na minha vida.

Uma das lições aprendidas é que nada existe separado e independente, tudo é interdependente. Nada é fixo e nem permanente. Tudo está em ebulição e em constante movimento e transformação de vida.

Tudo o que falamos, pensamos e desenvolvemos, meche na trama da nossa existência. Todo passado e futuro está condensado em nós a cada respiração, no momento presente.

Perceber essas ações, traz significados para a vida e a realidade começa a mudar a medida que aprendemos sobre nós mesmos.

A flor de lótus (o passado), a pessoa abstrata (o presente), os galhos e folhas (o futuro), ligados na forma geométrica circular, considerada a forma perfeita. Assim como o percursor da minha forma de trabalhar, afirma: “Amigo, não seja um perfeccionista. Perfeccionismo é uma maldição, uma prisão. Quanto mais você treme, mais erra o alvo. Você é perfeito, se se permitir ser […] (PERLS, 1979).”

Essa é minha filosofia de vida, essas são minhas bases: renascer, florescer, aprender, arriscar, transbordar apesar de tudo o que foi vivido, desenvolver um profundo respeito e responsabilidade por si, percebendo-se a cada movimento, a cada respiração, a cada pulsar do coração. E desse modo escolhendo o que é nutritivo e agradecendo aquilo que já não faz mais sentido, despedir-se das lições aprendidas para desse modo ampliar-se sobre a própria vida.

Satori.

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