Por vezes estou parada e escuto um estrondo.

Embora meus olhos possam estar abertos,

Não consigo detectar de onde vem.

Fecho meus olhos

E escuto as batidas do meu coração.

Junto delas vem um clarão que,

A cada pulsar, revela águas de um mar revolto.

Sinto seus respingos e tenho medo de sua imensidão.

Talvez por acreditar que ainda sou aquela garotinha

Que sempre teve receio de estar sozinha ao entrar no mar violento,

Olho ao redor e não há ninguém.

Compreendo que essa jornada é apenas minha.

Descubro que essas águas são minhas.

Fico imobilizada por alguns instantes, respiro fundo

Dou conta de que já sei nadar.

Mergulho de olhos abertos.

Não quero perder nenhum detalhe.

Vejo pessoas, situações, emoções, sentimentos, sensibilidade e furor.

Vou me transformando em minha própria intensidade.

Compreendo que o ruído, o estrondo,

É minha própria força e já não a tempo.

Aqui o tempo é outro.

Segundos gigantes, minutos eternos, horas infinitas.

Me sinto profundamente apaixonada por quem me tornei.

Descubro que não é necessário evitar a imersão

Por que sou do fundo dos mares.

Quem quiser adentrar minhas águas

Precisa fazê-lo sem medo

Minhas águas são turbulentas

Mas também acolhedora

Pois sou energia cíclica que modifica, transforma e oferece vida.

Feche seus olhos agora você só precisa disso.

Consegue sentir?

A vida está se expandindo.

 

@poemorfosia

Profundezas

678b20b7e76e3c81baa4f8c6ee1bc656.png