Nos meus anos de vida, há milhares de cacos coloridos e outros nem tanto, a criar um belo vitral ou um lindo caleidoscópio chamado vida, que visito em minhas memórias, sonhos e fotografias.

Sem a pretensão de criar rótulos, lanço mão de uma corajosa e dentro do que é possível, transparência, para que possa ecoar através dessas letras e da imagem, a infância com gosto de amoras rochinhas tiradas diretamente do pé em companhia de joaninhas, da adolescente que se encantava e que continua a se encantar com o mar; da jovem mulher que se sentia perdida em busca de uma identidade até chegar hoje; uma jovem senhora que não tem medo dos fios brancos e das fragilidades de um corpo cheio de passado e futuro.

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Tenho reações e emoções humanas, choro de rir com bobagens, sinto ternura quando brinco com meus bichos espalhados pela casa, fico triste quando perco alguém que amo ou quando me dou conta de há algo faltando, mas ainda não sei nomear, sinto saudades do que foi bom e cheio de sentidos.

Sou inquieta, posso ser arisca quando percebo que meus limites não estão sendo respeitados, sou curiosa, amorável, boba, sonhadora, mas também tenho meus momentos de concentração, principalmente quando estou envolvida com algo que gosto ou quando descubro um fato novo. Posso ter a alegria no olhar e a energia de uma criança que acaba de descobrir que é capaz de conquistar o que tanto deseja.

Adoro ver o sol ir dormir, conversar com meus amigos, catar conchinhas na praia -hábito que trago desde menina-, tenho ciúmes dos meus livros e gosto de escrever meus pensamentos. Danço na presença da minha solitude, mas em minha solidão, quero colo e uma xícara de café bem quente, acompanhada de afeto.

 

Posso me tornar irritável quando exposta a barulhos extremos, característica de quem aprendeu a coser e a bordar para dentro; aprecio o silêncio por todas as informações que podem chegar apenas ouvindo o ritmo do coração, acompanhado da frequência da respiração.

Sou ligada a natureza, cresci com os pés na terra, tomando banho de rio e de chuva, brincando de peão, bolinha de gude, montando a cavalo, construindo cordões com sementes das frutas, alimentando as formigas com açúcar (o que me rendia alguns puxões de orelha) e criando cabana com folhas e galhos de coqueiros (onde era meu esconderijo secreto no quintal).

Também tive tristezas na infância, como no dia que meu melhor amigo precisou mudar ou quando meu pai e minha cachorrinha Flor, morreram. Como todas as crianças, me senti sem rumo e confusa por um período.

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Viver tudo isso, fez com que em um momento da vida eu escolhesse a Psicologia como modo de exercer minha biografia. E para quem ficar curioso sobre o que fiz nesse campo, te digo que sou especialista clínica e que a abordagem que minha alma se encantou foi a Gestalt-terapia. Minha paixão desde miúda por livros, refletiu em outra escolha, a Biblioterapia e toda a poesia possível entre o que é lido e o que é ressignificado na escrita afetiva.

Sou curiosa, lembram? Então decidi me aventurar pela Neurociências e vivo bebendo na fonte do conhecimento sobre transtornos de personalidade e estresse pós-traumático, além de me debruçar sob outras formas do sofrimento humano. A cada descoberta, me fecho como um tatu e fico gestando pensamentos, alinhavando-os com minhas outras influências, dentre elas a Constelação Familiar, o Zazen e os trabalhos corporais (dança, luta, Yoga e pinturas).

Compartilho com meus clientes a ternura e o acolhimento, tão necessários para o crescimento e desenvolvimento diante do sofrimento, e vibro com cada passo dado e cada sonho conquistado por eles.

Não me limito em encontrar modos de fazer com que as pessoas que estão ao meu redor, reconectem-se a si mesma e com os outros, restaurando e criando novos vínculos, acho que sou uma espécie de mediadora das relações humanas.

Como descrito, essa miscelânea de informações fazem parte da minha totalidade, da minha história que guardam significações profundas e amplas, presentes no meu modo de falar, andar e me expressar. Estão através do que escrevo e da forma como danço junto com minha pandeirola cheia de fitilhos coloridos quando o vento canta.

Uma parte de mim, apresentada até agora, é o que está consciente mas não terminada. Por isso o “estou” e não o “sou”. Sou sujeita transeunte de mim mesma, em eterna modificação. A cada pessoa que chega e compartilha, leva um pouco e deixa um pouco de si e na relação vamos nos transformando.

Enfim, apresentei alguns elementos, que revelam alguém que sente tristeza e alegria, raiva e amor, solidão e solitude, que se magoa e que perdoa, que sorri, chora, sonha, vibra, cria e que tem uma tremenda esperança na vida.

Assim como você.

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Cristiane Silva de Oliveira
CRP 05/49244.

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